Estou tentando.

Estou tentando. Estou aprendendo a me debulhar em palavras.
Porque a palavra me transcende. Me liberta. Me provoca. Me.
Estou tentando sê-las.
Tenho tentado dedilhar os sofrimentos, transformá-los em versos, em frases, em coisas... Palavras.
Tenho usado o que há de bom, ruim e imaginário a favor de mim. Da minha discreta inspiração que se lança e se arranja em forma de letras e palavras desencontradas, buscando se encontrar. 
Há sempre tanto a dizer. Há sempre tantas palavras me querendo saltar os lábios.
Mas o silêncio me ama. E eu, por minha vez, amo o silêncio. E às vezes ( quase sempre ), minha voz se cala. Minhas cordas vocais se negam a vibrar. E , então, busco outros caminhos para as palavras. As escrevo. Redijo-as.
Me liberto. As liberto. 
Vou tentando, vou querendo, vou buscando palavras. 
Querendo descrever o indescritível.
Tentando escrever meu silêncio.
Que soa. Que fala. Que grita.
Que se rompe em versos mudos disfarçado em meio as palavras.

Desejos

Sussurros aos ventos. Segredo guardado em silêncio. Palavras velando em meu coração.
Meus desejos.
Sou milhares deles.
Calados, gritantes, encobertos, disfarçados. Escritos, descritos, imaterializados.
Cabe em papéis e às vezes não cabe em mim. Cabe em palavras, em gestos. Mas me transbordam incessantemente.
Não cabe em mim as minhas vontades. Não sei onde colocar tantos anseios. Onde guardá-los dentro de mim.
Eu não os guardo.
Eu os jogo ao vento. Para que ele, os leve aonde eles teem de chegar. Para que voltem  a mim. Ou para que se percam. Me desencontrem. Para que eu possa me esvaziar e me preencher de novos desejos. De antigos desejos deixados de lado. De desejos sempre desejados. De desejos. Inacabáveis.
Meus desejos são desejos livres. De tudo. De mim.
Por isso que às vezes me parecem tão distantes. Às vezes inalcançáveis. Por vezes incontroláveis. Mas ainda prefiro assim.
E os deixo livres. Para serem. Para acontecerem. Para se realizarem.
Para serem realidade.


Deixa que me leve


Eu não quero ter pressa. Não quero as respostas agora.
Não quero ficar tentando decifrar meu coração. Traduzindo as cifras de meus pensamentos. Quero me deixar fluir. E ir descobrindo aos poucos o que eu quero.
Ou redescobrindo.
Deixar que os caminhos me escolham,
que as vontades me carreguem.
Sem pressa . Sem medo. Sem culpa.
Vou deixar que a vida me leve.
Me deixar levar.
Sem receios. Sem pretensões.
Sem explicações.
Indo. Sendo.
Vivendo.

A música.


Hoje eu acordei com uma vontade desatinada de sentir. De ir além das minhas sensações.
Hoje eu quero me libertar de tudo o que eu sinto. Sair por aí. Sair de mim. Correr. Sentir. Viver.
Quero transbordar essa leveza que se apossou de mim.
A música.
A música agora me transportou para o lugar de minh'alma onde eu realmente gostaria de estar.
Uma paz e uma alegria tomaram conta de mim. Se misturaram ao meu sangue junto às notas musicais soando em meus ouvidos.
E, agora, eu estou me sentindo tão leve... Uma vontade de agarrar a vida. Uma sensação que não cabe em mim. ( Que coube na música.)
Quero me abandonar a essa sensação. De poder. De ser capaz. De ser feliz.
De ultrapassar os limites. Do corpo e da alma.
Me deixar sentir.
Deixar que a música me invada e me transfixar nela.
Agarrar a sensação. Até quando ela existir.

Sorria!




Mesmo que tudo pareça triste. E ainda que tudo esteja.
Mesmo que os dias estejam cinzentos, sem cor. Sem vida.
Mesmo que a vida pareça sem graça. Sem razão.
Ainda que as lágrimas queiram rolar sobre seu rosto e a tristeza afagar seu peito.
Não se renda. Não se entregue.
Preencha teus lábios com um sorriso. Sorria.
E verás que a vida ainda tem sentido.
Se, você sorrir.

Confusões

O que me consome é essa incerteza.
Já fiz tantas escolhas, agi com o coração. Errei. E agora que mudei as estratégias não tenho a certeza de estar no caminho certo. Aliás eu nunca soube se estava no caminho certo. A vida quem me mostrou.
De repente você muda de rumo, reorganiza os sentimentos, arruma o coração. Fica cheia de certezas. Confiante. Mas, por dentro, há sempre uma pergunta que não se cala, qurendo bagunçar as coisas: -'Eu estou agindo certo?!' Mas, eu tento uma resposta imediata: -'Espero que sim!'. É, dizem que quem espera sempre alcança. Eu espero estar certa.
Eu vou permanecer neste caminho. Não vou mudar o rumo. Não vou voltar a trás. Eu só queria que, agora, eu estivesse no caminho certo.
Não queria ter que modificar tudo outra vez. Mudar requer muito esforço. E causa uma desordem danada! E, eu, não quero mais brigar com meus sentimentos. Não quero ter que expulsar o meu coração do meu peito. Ah! Por que que eu fui nascer humana?!
Às vezes eu não sei lidar com toda essa humanidade dentro de mim. Ser humano por vezes me é um sacrifício!
Queria deixar de sentir. De me doer. De duvidar. De não saber. De ser. De sentir.
Meus passos cheios de certeza ainda estão cercados de dúvidas. E isso é o que me mata .

Imperfeições.

Não exija de mim movimentos perfeitos, passos bem executados, atitudes sempre corretas e coerentes.
Não espere que eu não cometa erros, que eu serei sempre capaz de perdoar, que eu tenha sempre as palavras certas, que eu nunca tropece e caia.

Não pense que farei tudo no tempo certo e no momento exato.

Não vá pensando que eu sou a pessoa certa, que eu não vou te decepcionar. Não é bem assim.
Não espere demais de mim.
Eu gosto dos meus erros. Eu não gosto é de errar. E estou aprendendo a lidar com isso. E erro.
Então, não vá pensando que eu sou perfeita. Não queira exigir de mim.
Ora! Eu não caí do céu. Não sou venerável. Sou de carne e osso. E pele. E fogo.
E erros.
Eu, sou apenas humana.

Inquietação.

Estou escutando o silêncio dentro de mim. Lá fora, gotas de chuva se rompem no chão, silenciosamente. Estou remexendo os meus sentimentos em busca de inspiração. Mil sensações passeiam pelo meu sangue, e os pensamentos flutuam sobre minha cabeça. Estou tentando extrair de mim essas sensações. Estou apenas tentando. Querendo. Eu quero.
Queria sair de mim. Me despertencer.
Está tudo calmo demais por aqui. Está tudo se organizando aqui dentro, mas uma quietude que chega a me incomodar. Meu coração bate em ritmo tão cadenciado que quase passa desapercebido. Meus pensamentos vão e voltam de forma demasiadamente compassada. Traquilos. Apáticos.
Não quero bagunçar as coisas aqui dentro. Deu muito trabalho para colocar meu coração em ordem.
Eu só queria quebrar esse silêncio. Essa calma vazia que tomou conta de mim.
Quem sabe gritar, ou correr por aí. Sem rumo. Sem pressa. Sem.
Sentir a vida vociferando dentro de mim.

Me manterei.

Não quero. Não posso. Não vou.
Eu não vou desistir agora. Não vou me entregar. Não vou permitir que as emoções me confundam, que embaralhem meus pensamentos. Não vou amolecer meu coração. Não vou mudar de idéia.
Eu nem sei se estou deixando me levar por essas sensações. Na verdade eu quero não senti-las. Por isso antecipo a idéia de tê-las para saber como lidar com elas. Essas sensações... que nem ao menos sei explicar. E nem quero. Eu fujo delas. Me escondo. Me protejo. Me guardo. Também não passou pela minha cabeça desistir. Mas eu preciso me afirmar. Re-afirmar. As minhas escolhas. Minhas decisões. Ainda há tanto pela frente... Não posso fraquejar. Não vou desistir. Preciso continuar. Está dando certo assim. Ao menos por enquanto.
Espero que dure. Que me cure. Que me faça chegar onde quero.
Por enquanto...
Tenho me mantido forte. Tenho sido forte. Me manterei!

Pequena sonhadora

Todas as manhãs ela beijava o sol, sorria para o mundo e abraçava o dia. Era sempre assim. Aquele sorriso no rosto e aquele ar de esperança. Sempre. Não havia tempo ruim. Às vezes uma neblinazinhha, um chovisco, uma ventania,  mas nada que a impedisse de exibir seu sorriso aos quatro cantos do mundo. Sua maior alegria era viver. E ela vivia. Cada dia como o último. Único. Ela sabia viver como ninguém.
Era só. E era feliz. Era feita de sonhos. Milhares deles. E neles se concentravam suas forças. Tão pequena no mundo. Tão grande dentro dos sonhos. Sonhar era o que a mantinha viva. E ela nem se importava com o mundo. Só queria viver o mundo que lhe pertencia. Embora soubesse conviver muito bem com todos os mundos à sua volta. Ela era irreal. Ela é.
Por ser feita de sonhos era à noite que ela vivia. A cada nascer do sol já se aprontava para esperar a lua. Como quem espera por um amor. Ansiosa. Carregada. Cheia de expectativas.
Quando o sol se escondia algo lhe tomava conta. Se tornava inatingível. Se jogava num canto e se entregava aos sonhos. E aí, então, nada mais se pertencia. Nem a ela. Nem ao mundo. Nem a ninguém. Tudo se tornava impalpável. Intáctil. Sonhos... milhares deles.