Inspiração.

Vivo à espera das idéias. Da força que de súbito nasce em mim jorrando sem cessar em forma de palavras. De me surpreender com a imaginação, que às vezes me leva a ser além do que sou. De desvendar o mundo para o qual de quando em quando minha mente me conduz.

Estou sempre em busca da sensação de trasbordamento que  toma conta do meu ser e me traduz nas entrelinhas. À espera das criações do meu subconsciente e dos devaneios do meu inconsciente que se transformam em fragmentos, sinais gráficos da minha imaginação. Das afirmações e dos questionamentos os quais por vezes me fazem extravasar.
Gosto de descobrir certas verdades escondidas, inventadas e escrevê-las. Torná-las parte do meu mundo real. De sentir os refluxos da alma. De ver as idéias fluirem. De ver o imaterial tomando formas, ganhando vida, transmudando-se em letras arranjadas em forma de palavras.
Vivo à espera da idéia. Contínua. Desordenada. Ilimitada. 

Sentir. E ser. Isso me basta.

Não me pergunte quem sou. Não me dêem a difícil tarefa de me descrever, não sei se encontraria em meu vasto vocabulário palavras para definir o que sou.
Na realidade desconheço.
Eu não quero me entender, não pretendo me decifrar.

Perderia toda a graça de me ser.

O que me encanta em não saber quem sou é o mistério. Me excita a quase descoberta da matéria que me constitui. O prazer de desbravar cada pedaço de vida espalhado pelo tempo. Tentar juntar os cacos do que sou.
Gosto de me encontrar no oco de mim, de sentir o sabor desconhecido das minhas sensações. Como provar um fruto até então desconhecido. Descobri o doce e o amargo que existe no meu eu mais profundo. Experimentar ser o que sou. O que não sei se sou.
Sinto o êxtase quando caio no vazio de mim mesma e chego ao âmago do meu ser. Chego a essência. Mas não decifro a matéria. Não vejo.
Apenas sinto o que sou, mas a descoberta cai no largo do esquecimento quando retorno ao meu extrínseco. Quando me perco novamente.
Sou só mistério, matéria oculta e incompreesível a mim mesma.
Se ousasse me revelar talvez deixasse, eu, de existir. Não quero conhecer.
Quero apenas sentir. E ser.
É vasto. E me basta.


Se pudesse entrelinhar seus sentimentos

Sentia-se acuada. Cativa dentro do seu próprio ser.
Queria transformar todos os seus sentimentos em palavras e em fração de segundos esvaziar todo seu coração. Ser livre para poder desnudar-se em versos, sílabas soltas transfigurando suas sensações em palavras sem que nelas não houvessem outra força senão a de libertá-la de seus sentimentos.
Escrever contudo iria sempre mais além. Eram muito mais que letras organizadas em frases desordenadas tentando transcrever um coração. Era como despir-se de si mesma e mostrar-se límpida, íntima, sem pudores. Era como deixar de sê-la. Como emprestar suas emoções, como abrir segredos nunca revelados, guardados, escondidos em um cantinho do coração e que só por vezes era resgatado por armadilhas da lembrança que a mente a sujeitava . Era por fim perigoso mostrar-se tão transparente e revelar sentimentos nem sempre compreendidos. Que de certo seriam mal compreendidos. Por isso escolheu apanhar os sentimentos e guardá-los de vez na caixinha das recordações. Em algum canto de seu coração. Talvez um dia os esquecesse. Talvez não.
Revelar-se era portanto,  um risco o qual preferira não correr.

PAZ.

Busca interminável pela harmonia consigo e com o mundo. Pela sensação de viver livre e leve, sossegado, distante das inquietações que nos perturbam. A paz é um estado de intimidade com o próprio 'eu ' , o silêncio que acalenta o nosso coração fazendo-nos transcender o nosso próprio ser. 
O desejo de calma, mesmo quando o coração está frenético. É poder degustar cada sentimento sem obstáculos. 
Ser livre para sentir.
É a força que supera a guerra, a coragem que sobrepõe-se ao medo. A sensação de estar longe de toda a negatividade.
É sentimento que nos eleva. Vasto. E em todas as suas abrangências, pela lei, pela força, eterna, mundial, interior, ela não acontece, mas nasce e somente pode ser cultivada dentro de cada um. 
Cultivemos, sejamos a paz!


À procura da sensação


Parei. Senti o silêncio. Aventurei uma inspiração.

Fechei os olhos à procura da sensação, à procura da súbita sensação que não se descreve, que apenas se sente e que pouco a pouco sem que se perceba se materializa. 
E assim, enternecida pela sensação me sinto desaguar. Sinto o ar atingir os meus pulmões, o sangue correr em minhas veias. Sinto a vida.
O viver que às vezes resume-se ao involuntário e mecânico movimento de inspirar e expirar. E que outrora não se resume nem se define. Apenas se manifesta imensurável e inexplicavelmente. 
Viver que só mesmo se percebe quando se sente e não quando se vive. Pois a vida se revela em várias formas e mesmo havendo várias formas de vivê-la só se vive quando se sente. Viver é eterna busca pelas sensações que a vida dá.
Parei. Senti o silencio se esvair.
E continuei.  À procura da sensação.

Pretexto

Desatados, meus pensamentos flutuam tentando se encontrar, em busca de idéias, tentando se materializar em palavras. Pensamentos soltos sem direção.
Eles, confesso, são apenas pretexto para saciar essa minha angústia de escrever.
Não me detenho, caio no vazio de mim mesma e não há  como desviar dessa necessidade de me transpor, de ir além. Fico vazia e de repente encho-me de pensamentos desordenados, desagregados de mim mesma. E uma vontade de transcrever o indescritível me consome, voraz, veemente. Como fome insaciável.
Meus pensamentos, apenas demonstram essa força contida dentro de mim, essa vontade de palavras que toma conta do meu ser, sem que eu possa ao menos explicar.
Meus pensamentos são só pretexto. O que eu quero mesmo é escrever.  Escrever sem pensar. Apenas escrever.

Meus passos

- Passos.
Lentos. Curtos. Mudos. Às vezes vagando, outras seguindo um rumo, à procura de um destino. Passos carregados de sentimentos. Absorto. Vazios. Cansados. Passos pesados,  leves. Querendo sempre me levar a algum lugar. Ou tirar-me deles. Passos alados, flutuantes, pairando pelo tempo. Cadenciado. Passos de pés cansados, ávidos, de desejos múltiplos. Em busca de caminhos. Carregando uma lembrança. Deixando vestígios. Passos de esperança e desejos. Demasiados, impetuosos. Passos, que se multiplicam ou se abreviam em um único passar que apenas segue incessante para não perder o compasso.

Pulsante

Sou feita de matéria impalpável, sonhos e sentimentos indissolúveis, sensações , emoções. Sou matéria ilimitada, sem contornos, imponderável, amorfa. Às vezes amor, outras rancor, melancolia. Impassivel, sensível. Carrego comigo às vezes um pouco de utopia. Quase nunca um pouco de razão. Um tantinho sol, outra metade lua. sou fases, tenho fases. Mudo, transformo. E sempre chego a um mesmo ponto, como num movimento de translação. Sou feita de sorrisos. E lágrimas.  E gargalhadas. Sou arfante. Sou calmaria. Sou tempestade. Sou rio correndo pra desaguar.  Sou gritos. Sou o silêncio. Sou corpo à procura de sensações. Sou medo e sou coragem. Sou orgânica. Sinto o sangue correndo nas veias, às vezes frio, às vezes quente como lava escorrendo no cume de vulcões. Sou explosão e implosão. Matéria inanimada ganhando vida, fremente. Sou força contida, fraqueza inata. Tenho inépcia, inércia. Sou ser, mas nem sempre humano. Sou tudo e nada. E quase sempre reduzo-me a ser coração. Platônico. Estreme.
Pulsante.

O meu DEUS !

Às vezes sinto-me esvaindo, submersa em sentimentos que parecem me desmanchar. Sinto-me fora do eixo, errante. Tudo é vago, mudo. E uma vontade tamanha de desvanecer me consome. Pensamentos intermináveis, subsequentes, pairando sem cessar. Sensação infausta.  
E de repente uma cereteza inexaurível toma o meu ser,  querendo demonstrar que uma força onipotente é  que rege a minha vida.
A aflição me mostra o quanto o meu DEUS é grande ! e eu o posso sentir.
Na dor, na tristeza, na angústia, ELE transforma o que me desagrada em fé. E está sempre me dizendo ' Estou com você.' e como é bom sentir o Deus dentro de nós! E agradecer as suas maravilhas a cada novo dia.
Obrigada  Senhor !
se eu me perder, sei onde me encontrar.

'Sou forte mas também destrutiva'


"Neste mesmo instante estou pedindo ao Deus que me ajude. Estou precisando. Precisando mais do que a força humana. Sou forte mas também destrutiva. O Deus tem que vir a mim já que não tenho ido a Ele. Que o Deus venha, por favor. Mesmo que eu não mereça. Venha. Ou talvez os que menos merecem mais precisem. Sou inquieta e áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor. Ás vezes me arranha como se fossem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e no entanto continuo inquieta é porque preciso que o Deus venha. Venha antes que seja tarde demais. Corro perigo como toda pessoa que vive. E a única coisa que me espera é exatamente o inesperado."