Minha necessidade

O tempo, as coisas, a vida...
Mil pensamentos pensando ao mesmo tempo. Idéias que não se completam. Palavras que se perdem no ar.
Eu bem que tento deixá-las voejando, como um pássaro, livre, soltas. Mas existe algo mais forte em meu ser. Sou possessiva demais. Eu as quero somente para mim. Eu quero o pensamento até a última gota, quero estilar minhas idéias até que se transfigurem em palavras. Vício. Confesso que me viciei nas palavras.
Não me contento em não ter idéias. Em não ter inspiração. Se não as tenho, eu as invento. Mesmo que nada se encaixe. Que tudo esteja em desalinho.
É que isto virou uma necessidade intrínseca de mim. Entende? Vai muito mais além do ato de escrever. É como me transpor, ir além de mim, do que sou, do que penso.
O que escrevo é tão de mim, que chega a não me pertencer. Não sei explicar.
É como colocar a alma num papel.

Nas nuvens

Me apaixonei.
Tudo começou com um olhar. Mas não foi amor a primeira vista. Esse olhos os quais eu falo há muito já me fazem companhia. Acredito até que já fui enamorada deles. É, eu fui.
Também não foi assim, de repente! Não foi como me olhar no espelho e, de súbito, dizer , "estou apaixonada". Ou será que foi?! Eu... o espelho.... Ah, essas coisas nunca teem uma certa lógica, um tempo certo, uma explicação. Tudo flui.
Natural. Mágico.
E depois do olhar?! Ah... depois do olhar tantas outras coisas vieram, tantos detalhes. Os detalhes. Foi neles que comecei a perceber. Percebi c-a-d-a detalhe. Cada gesto. Tudo começara a me encantar.
E tudo foi se tornando mais leve. Eu, me tornei mais leve. De uma leveza doce. Calma.
E, enfim , o encontro. Digo, o reencontro. Explosão! Houve uma manifestação súbita e violenta de um sentimento, de uma paixão. Um sentimento que de tão bom não imaginaria que fizesse mal. E não faz. E faz um bem descomedido. Irremediável.
Um amor que me leva pro céu, sem me tirar do lugar. Um amor que eu só encontro em mim. E não importa o que os outro pensam, falam, digam. Eu não estou nem aí! Descobri que estou apaixonada. Tudo é mágico para mim.
Eu me autoapaixonei. Me apaixonei por mim. Ah... que delícia me amar!

Eu sinto


E quando o sono vem, quando os meus olhos se fecham. Eu sinto. Os sonhos chegam devagar, e eu posso sentir as tuas asas pousarem sobre coração. Doce sensação.
Me guarda e me consola.
Não ouço. Não vejo. Mas sei.
 E eu, agora, em tuas asas descansarei
e quando o sono se for eu perceberei,
sentirei a tua presença.
Eu sinto.

Recarregue-se

Estava mesmo precisando recarregar as energias. Daquele jeito que somente faz efeito quando se gasta a energia. Não estou falando da energia física, mas da energia imaterial. A que move a alma e não o corpo. A energia necessária para continuar seguindo. Firme. Forte. A que nos abastece, e faz nos movermos. É preciso repor as energias. E saber aproveitar tudo de bom que a vida nos traz.
Recarregue-se. renove-se. Conserve, a energia de viver !  

Cotidiano

Todo dia. Vivo a constante do meu ânfemero. Todo dia, tudo acontece do mesmo jeito.
Cronologicamente. Milimetricamente. Está tudo no mesmo lugar. O de sempre. O de sempre me acontece diariamente. Sempre.
Até os imprevistos eu consigo entrever. Vivo de fazer aquilo que se realiza todos os dias. Me habituei ao habitual. Minha monotonia. Estou largada nessa vida parada que ecoa, repetidamente, a cada vinte quatro horas. E nas vinte e quatro seguintes. Essa minha relação espaço-tempo anda um pouco desgastada. Precisamos discutir a relação. Modificar os ritmos.
Cansei do todo dia. Cansei do de sempre. Cansei do cotidiano.
Quero viver as exceções. 

Sou aquilo que não se vê

Eu não sou o que você vê. Eu vou muito mais além das linhas que delimitam o meu corpo. Eu não posso me descrever. Nem posso me revelar. Talvez você não entenda. Mas é assim que tem que ser. É assim que eu quero que seja. Me descrever não bastaria. Seria inútil contar minunciosamente cada detalhe do que eu sou. Desnecessário. Você tira sempre suas próprias conclusões. Então deixo que pensem o que sou e o que não sou. Que me imaginem na multiplicidade de um ser humano. Que fantasiem. Porque eu também me fantasio. Às vezes. Porque na verdade eu sei o que sou. Apenas finjo não saber e faço que esqueço, só para sentir o sabor de ser o mistério. Mistério. Amo essa palavra carregada do que não se vê, do que não se sabe, do que surpreende. Mistério. Amo me desconhecer só para depois me reencontrar. Me desbravar. E unir todas as partes de mim.
Eu não sou o que você vê. Nem sou o que me revelo. Revelo apenas a parte que te cabe, e que não cabe em mim. Apenas o que sinto premência de mostrar. Um pouco do leve e do angustiante, do bom e do normal que existe em mim.  Dou de mim o que acredito que tu podes receber, sem dor e sem sofrer.
Sou aquilo que só quem sente pode perceber. O que sou só quem vê de muito, muito perto pode compreender. Se não for assim, desista. Eu não vou me revelar. Pode tirar suas conclusões.

Delicioso ciclo


Viver às vezes me cansa.

A vida é tão simples e trabalhosa que por vezes me deixa exausta.

Há tanto a fazer.

Sorrir, chorar, amar, sofrer, cair, levantar, seguir, decepcionar, chorar, sorrir, seguir, sentir, fazer, sonhar, desistir, alcançar, cair, levantar, seguir, sorrir, amar, amar, amar. Ser feliz. Tudo isso numa vida só.

Eu preciso ser mil em apenas uma. Uma para cada dia. Uma para cada vida. Sim. Tenho muitas vidas. Muitas vidas em uma só. Pois cada dia é um recomeço. Cada recomeço é um renascer. Cada renascer um nascer de novo, e de novo, de novo....
Delicioso ciclo.
Tão bom ser mais de uma e poder me reencontrar a cada nova vida num mesmo corpo. 
A vida às vezes me cansa. De uma lassidão surpreendente. Cansaço de dever comprido. Fadiga de quem quer mais. Mais vida para viver. E reviver um novo ciclo.
Delicioso ciclo.

São só reflexões.

Texto sem nome, sem características ou  destinatários. São só reflexões.

Gosto de me isolar no oco de meus pensamentos. De perceber e sentir os fatos. De observar. Avaliar.  Há tanta coisa ao meu redor. Gosto do que me inspira a escrever. Não há nada mais inspirador que o ser humano, as pessoas. Suas diversidades, contradições, falhas... Tudo o que de alguma forma me faz refletir e exprimir minhas idéias. Gosto de apreender por meus sentidos o que me encanta e o que me desagrada no ser, humano. E por falar em admiração...
Tenho uma profunda admiração por quem vive sem julgar. Me encanta àqueles que são capazes de olhar o outro sem fazer críticas maliciosas, sem reputar. Que sabem ver e se calar. Compreender. Reconhecer no outrem o Humano. E acima de tudo, sem formular um pré conceito a respeito do que há de errado, no que é defeituoso no próximo. Gosto de quem reconhece que cada um é que sabe o que se passa em seu íntimo, quem compreende que julgar sem conhecer é um desacerto. Nenhuma pessoa pode se colocar no lugar do outro para perceber o turbilhão de sentimentos, frustrações, decepções e revoltas que cada um tem dentro de si.

Se a tua opinião não acrescenta, não ajuda, nem transforma, guarde-a para você. Há coisas melhores na vida que cuidar da vida do outro. Como cuidar da própria vida, por exemplo.

Felicidade.

Que atrevimento, esse o meu, de intitular as  minhas palavras assim. Insensatez minha querer falar desta coisa chamada Felicidade. Eu, que mal posso senti-la. De leve. Íntima. Indescritível. Por vezes.
Eu nem sei como escrever, por onde começar. Impossível definir. O que eu estou tentando fazer?! Definitivamente. Eu não sei o que estou aventurando escrever aqui.
Como falar de felicidade?! De suas pequenas coisas, seus pequenos gestos. De suas inúmeras faces...
Eu queria ir além dos discursos e das frases feitas. Além do que se sabe e não se pratica. Mesmo que o que eu fale também não seja praticado. Queria uma outra forma, um outro modo de exprimir o inexprimível. Talvez de uma forma mais simples. Simples, como a Felicidade me parece ser.
Há tanta dificuldade tola para encontrar a felicidade. Talvez o medo de assumir-se feliz faça as pessoas se distanciarem do seu significado. Tudo intercorre ao derredor dessa tal busca pela felicidade. Talvez as pessoas não queiram se desfazer desse objeto de esperança.
A felicidade não precisa ser uma busca eterna, nem um objetivo final. Ela deve ser pra já. Agora. Pode e deve ser uma coisa a ser constantemente acrescentada ao invés da triste sina de ser uma infindável procura. Não há o que procurar. A felicidade é. Basta sentir. Querer sentir.
Nos concentramos tanto na busca que nem percebemos a presença. A Felicidade é como aquele objeto que procuramos desesperadamente, em todos os lugares, e ele está logo ali à nossa frente, mas tamanho é o desespero de encontrar que passa despercebido. Não conseguimos enxergar. Basta que esqueçamos da procura e, simplesmente, aparece. 
Para falar a verdade, acho que modifiquei minhas idéias. Falar de Felicidade é muito mais simples do que eu entrevia. Sentir é que é difícil. Deixar-se sentir é que complica. Então, esqueça-se. Deixe-se. Largue-se. E sinta. A Felicidade já está em você.
Preciso descomplicar essa coisa chamada Felicidade. Ela é simples demais para ser descrita em palavras. E eu, já escrevi demais.

Malas prontas

Minhas malas estão sempre prontas. Acho que eu sempre estou de partida. Há sempre um novo caminho a seguir e preciso estar preparada. A vida, continuamente, me leva para rumos desconhecidos, ou me faz voltar a caminhos já percorridos. Minha frustração, a de voltar sem querer.
Às vezes o destino me trai. E eu retorno aos lugares que desejei jamais regressar. Por isso decidi não mais desfazer as malas. E aceitar os caminhos que a vida me traz. Não vou mais fazer promessas futuras de não mais voltar. Vou fazer menos planos. Seguir as trilhas que o destino revelar. Manterei as malas prontas. E não terei pressa de chegar. Nem de partir. Vou viver o que há pra viver. Aceitar. Me conformar. Seguir. Sem medo de ser feliz.