Hoje, eu só vou viver.


Não vou contar o tempo, não vou me preocupar. Vou ser o hoje.  Intrinsecamente.

Ao menos um dia tenho que fazer assim. Abandonar-me à vida. Deixar que a brisa me carregue, invadir o tempo sem que ele me perceba. Entregar-me à sensação. Me deixar acontecer. Viver e esquecer que estou vivendo.
Ah... vou me perder! P-e-r-d-i-d-a-m-e-n-t-e. Assim, beeem devagarinho. Esquecer que há volta. E depois ir me descobrindo. Lentamente. Me desorganizar. Desfazer-me da forma humana, da essência, ou pelo menos esquecê-la. Ser. Indefinida. Ilimitada. Ser o nada e o tudo. Assim, ao mesmo tempo.
Hoje não quero chorar. Nem que seja de alegria. Vou secar cada lágrima que houver em mim. Interromper cada soluço desconsolado. Hoje eu não conheço o pranto. Hoje, eu, sou a alegria. Um sorriso desajeitado, canhestro, querendo acontecer. Sem intenções. 
Vou sentir cada molécula de oxigênio que penetrar em meus pulmões, como quem está recebendo um milagre. O que é. De fato. Vou despojar-me em um estado de contemplação profunda. Absorto. Ver a vida desabrochando. E acontecendo.
Hoje. Quero apenas chegar ao ápice de existir. Sem ambição.

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